Leia o texto.
Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo passou por profundas transformações econômicas e políticas que deram origem a instituições e práticas voltadas para organizar o comércio internacional e garantir maior estabilidade financeira. Entre essas instituições, destacam-se o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), criados em 1944 na Conferência de Bretton Woods. O Banco Mundial passou a financiar projetos de reconstrução e desenvolvimento em países devastados pela guerra, enquanto o FMI atuou para estabilizar moedas, oferecer empréstimos emergenciais e evitar crises cambiais, promovendo maior confiança nas relações comerciais.
Nesse contexto, surgiu o multilateralismo comercial, que consiste na cooperação entre vários países para estabelecer regras comuns de comércio, reduzindo barreiras tarifárias e promovendo negociações coletivas. Essa prática fortaleceu a integração econômica global e deu origem a instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC), que regula disputas e busca garantir maior equilíbrio nas trocas internacionais.
Diversos fatores favoreceram a expansão do comércio internacional ao longo do século XX: o avanço tecnológico nos transportes e nas comunicações, que reduziu custos e distâncias; a globalização, que intensificou a interdependência entre países; e a formação de blocos econômicos, que ampliaram mercados regionais. Além disso, o crescimento das multinacionais e a busca por novos consumidores impulsionaram ainda mais a circulação de mercadorias.
Os três principais eixos de circulação do comércio mundial são a América do Norte, a Europa Ocidental e o Leste Asiático. Essas regiões concentram grande parte da produção industrial e tecnológica, além de possuírem infraestrutura avançada e elevado poder de consumo. Em relação aos países subdesenvolvidos, a vantagem dessas economias está na capacidade de investir em inovação, controlar fluxos financeiros e ditar regras comerciais, o que gera desigualdades nas trocas internacionais.
Apesar dos avanços, medidas comerciais como subsídios agrícolas, tarifas protecionistas e barreiras não tarifárias provocam distorções nas relações comerciais. Essas práticas favorecem determinados países ou setores, dificultando a competitividade de nações menos desenvolvidas.
Foi justamente para enfrentar essas desigualdades e fortalecer economias regionais que se formaram os blocos econômicos. O objetivo dos países ao se unir em blocos é ampliar mercados, reduzir barreiras internas, aumentar a competitividade e ter maior poder de negociação no cenário global.
Os blocos econômicos podem se organizar em diferentes níveis de
integração:
·
Área de livre-comércio: elimina tarifas entre os países membros, mas
cada um mantém suas próprias regras comerciais com nações externas.
·
União aduaneira: além de eliminar tarifas internas, estabelece uma
tarifa externa comum para países fora do bloco.
·
Mercado comum: permite a livre circulação de bens, serviços, capitais e
pessoas entre os países membros.
· União econômica e monetária: além da integração comercial, adota políticas econômicas comuns e, em alguns casos, uma moeda única, como ocorre na União Europeia com o euro.
1. Qual foi a atuação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) no período pós-guerra?
2. Caracterize o multilateralismo comercial.
3. Cite alguns fatores que favoreceram a expansão do comércio internacional.
4. Quais os três principais eixos de circulação do comércio mundial? Quais as vantagens dessas economias em relação aos países subdesenvolvidos?
5. Cite algumas medidas comerciais que provocam distorções nas relações comerciais entre alguns países.
6. Explique os motivos que levaram à formação dos blocos econômicos. Qual é o objetivo dos países com essa formação?
7. Caracterize os diferentes tipos de integração regional:
a) Área de livre-comércio;
b) União aduaneira;
c) Mercado comum;
d) União econômica e monetária.
8. Quais os objetivos econômicos e políticos da criação da União Europeia?
9. Quais são as diferenças, do ponto de vista político e econômico, entre o Nafta a União Europeia?
10. Cite as consequências da transição das economias socialistas para o capitalismo nos países da Comunidade dos Estados Independentes (CE).
11. Leia o texto a seguir e responda às questões.
MERCOSUL: UMA TRAJETÓRIA DE 35 ANOS
Em 2026 o Mercosul completa 35 anos de existência e vive um momento de redefinição. Nos últimos anos, o bloco conseguiu avanços importantes, como a entrada em vigor do acordo comercial com a União Europeia em maio de 2026, após mais de duas décadas de negociações. Esse pacto conecta dois blocos que juntos somam um PIB de mais de 22 trilhões de dólares e cerca de 718 milhões de pessoas, ampliando o acesso a mercados estratégicos e fortalecendo a posição do Mercosul no comércio global.
Além disso, foram firmados acordos de livre comércio com Singapura em
2023 e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) em 2025, mostrando
uma busca por diversificação de parceiros comerciais. O Fundo para a
Convergência Estrutural (FOCEM) continua ativo, voltado para reduzir
desigualdades regionais e apoiar projetos de infraestrutura e integração.
Apesar desses avanços, o bloco ainda enfrenta dificuldades para consolidar uma integração plena. Persistem assimetrias econômicas entre os países membros, especialmente Paraguai e Uruguai, que reivindicam maior apoio para participar das cadeias produtivas. Muitas decisões políticas permanecem no campo da retórica, sem se traduzirem em ações concretas de integração produtiva. Além disso, a internacionalização das cadeias de produção e a expansão de empresas multinacionais para fora da América do Sul reduzem o dinamismo do comércio intrabloco.
Hoje, grandes empresários e setores econômicos consideram mais viável que o Mercosul se mantenha como área de livre-comércio, em vez de avançar para uma União Aduaneira plena. O patrimônio institucional do bloco é significativo, com instrumentos, fóruns e decisões acumulados ao longo das décadas, mas a efetividade depende do esforço político e dos recursos destinados pelos governos.
A relação comercial entre Brasil e China também influencia diretamente o cenário regional. A China permanece como o principal parceiro comercial do Brasil em 2026, responsável por grande parte das exportações brasileiras de soja, minério de ferro e petróleo. Ao mesmo tempo, o Brasil importa da China produtos industrializados e de alta tecnologia, como equipamentos eletrônicos e máquinas. Essa relação fortalece a economia brasileira, mas também gera desafios para o Mercosul, já que parte significativa do comércio do Brasil ocorre fora do bloco, reduzindo o peso relativo das trocas intrarregionais.
Em síntese, o Mercosul em 2026 apresenta conquistas relevantes, como
novos acordos internacionais e maior inserção global, mas ainda precisa
transformar sua retórica de integração em políticas concretas que fortaleçam a
competitividade e a coesão interna.
Fonte: Bora Investir (2022)
a) De acordo com o texto, após 25 anos o Mercosul não passou por grandes mudanças desde que começou a vigorar. Cite um trecho do texto que exemplifica essa afirmação.
b) Segundo o texto, o que impede o fortalecimento do Mercosul como bloco econômico?
c) De acordo com o que você estudou, que tipo de integração regional caracteriza o Mercosul?
GABARITO
1. O Banco Mundial e o FMI foram criados para assegurar o bom funcionamento do sistema financeiro internacional, fornecendo assistência técnica e ajuda financeira direta aos países por meio da concessão de empréstimos.
2. O multilateralismo comercial visa combater práticas protecionistas e promover a liberalização do comércio internacional, apoiando-se em princípios que proíbem qualquer tipo de discriminação, vantagem ou privilégio envolvendo tarifas aduaneiras entre seus signatários.
3. A expansão das empresas multinacionais pelo mundo foi beneficiada por medidas como: a redução das barreiras tarifárias; a harmonização da política aduaneira; a derrubada de inúmeras medidas protecionistas, como a cobrança de altas taxas de importação, que visavam proteger certos mercados e dificultavam a expansão das trocas comerciais; e a ampliação do setor produtivo nos países mais desenvolvidos e industrializados.
4. De maneira geral, o comércio mundial se estrutura em torno de três eixos principais de circulação: os Estados Unidos e o Canadá, na América do Norte; a União Europeia; e os países asiáticos, com destaque para o Japão, a China e os Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura). Esses países têm como vantagens as trocas comerciais, que acontecem com maior intensidade, além do fato de liderarem o comércio de produtos avançados tecnologicamente e, portanto, de elevado valor agregado. Já a grande maioria dos países subdesenvolvidos depende, basicamente, da exportação de matérias-primas básicas (gêneros agropecuários, recursos minerais e energéticos) de menor valor agregado.
5. Entre essas principais medidas que provocam distorções estão: a imposição de cotas, que imita a quantidade do produto a ser importado; o dumping, que é a venda de mercadorias a preços menores que o seu custo com a finalidade de eliminar os concorrentes; os subsídios financeiros, a fim de tornar determinados setores mais competitivos no mercado; as barreiras fitossanitárias, que instituem normas rígidas principalmente sobre os produtos agropecuários; as barreiras administrativas, que são as normas e exigências técnicas; e as taxas de câmbio, reguladas pela política monetária e que podem desvalorizar a moeda nacional a fim de tornar os produtos importados mais caros ao consumidor.
6. A formação dos blocos econômicos busca ampliar a participação dos países-membros no comércio mundial, sobretudo com o aumento de suas exportações. Para tanto, os acordos comerciais e econômicos firmados entre os países, como a redução ou eliminação das tarifas alfandegárias, a uniformização de políticas monetárias e financeiras, a desburocratização do setor aduaneiro, entre outros, procuram facilitar o fluxo e a circulação de mercadorias, serviços e capitais entre os parceiros do bloco. Tal estratégia atende às necessidades de acumulação de capital inerentes à expansão das economias capitalistas.
7. a) Em uma área de livre-comércio, os países eliminam progressivamente as tarifas alfandegárias para estimular os fluxos de comércio e investimentos entre si. No entanto, cada país do bloco tem autonomia para conservar sua política tarifária em relação aos países que não pertencem ao bloco.
b) Em uma união aduaneira, além do livre-comércio estabelecido pela eliminação das barreiras alfandegárias, os países também adotam uma tarifa externa comum (TEC), cobrando os mesmos impostos e taxas alfandegárias sobre os produtos importados de países de fora do bloco.
c) Além do livre-comércio de mercadorias e serviços, o mercado comum também estabelece a livre movimentação de capitais (investimentos) e de pessoas (trabalhadores) entre os países-membros.
d) A união econômica e monetária é o estágio mais avançado de integração regional, cujo funcionamento prevê a adoção de uma moe- da única e de um Banco Central, além da criação de instituições, como tribunais de justiça e de contas, conselhos de ministros, parlamentos, entre outros, e a padronização de políticas econômicas e monetárias necessárias para garantir, entre os países-membros, níveis compatíveis de inflação, taxas de juros, déficits públicos etc.
8. O objetivo da criação da União Europeia foi o de promover a recuperação econômica dos países- -membros que haviam sido devastados pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Do ponto de vista político, sua criação buscou deter o crescente avanço da influência estadunidense, ocorrida com a implantação do Plano Marshall, e, ao mesmo tempo, impedir o eminente avanço do socialismo no Leste Europeu.
9. O Nafta foi criado com o objetivo de fortalecer à economia da União Europeia e foi alcançado graças ao processo de integração ocorrido na- quele continente. Ao contrário do bloco europeu, que caminha para uma integração política e econômica completa, o Nafta se restringe a um acordo comercial, não prevendo o avanço para uma união aduaneira ou um mercado comum, como ocorre na União Europeia.
10. Durante o processo de transição para a economia capitalista de mercado, os novos países da CEI sofreram forte desaceleração da economia. Isso ocorreu em razão da crise que surgiu com a transição político-econômica, tendo como consequência o aumento do endividamento externo, do desemprego, da inflação e a decadência de outros indicadores sociais, como o aumento da pobreza e da concentração de renda.
11. a) “A verdade é que os avanços anunciados há uma década não se transformaram em políticas e ações concretas”. “As decisões nesse campo [esforço político) dificilmente ultrapassam a retórica”.
b) Atualmente o Mercosul consiste em uma união aduaneira, em que os países-membros definem uma tarifa externa comum (TEC).
c) As “assimetrias” significam as grandes diferenças econômicas entre os países-membros. A dívida externa, o desemprego e a inflação são problemas que afetam de maneira diferente os países do bloco. Alguns países, por exemplo, possuem altas taxas de desemprego e inflação, enquanto outros têm maior endividamento externo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário