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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

O BIOMA DA CAATINGA

 O Brasil possui 6 regiões naturais distintas, chamadas de biomas: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas e Pantanal. Todos os biomas que ocorrem no Brasil estendem suas fronteiras para além do limite do país, com exceção da Caatinga, que é a região que se encontra exclusivamente no território brasileiro.


O que é Caatinga?
Caatinga é a vegetação que predomina no Nordeste do Brasil e está inserida no contexto do clima semiárido. Os índios, primeiros habitantes da região, a chamavam assim porque na estação seca, a maioria das plantas perde as folhas, prevalecendo na paisagem a aparência clara e esbranquiçada dos troncos das árvores. Daí o nome Caatinga (caa: mata e tinga: branca) que significa “mata ou floresta branca” no tupi. Porém, no período chuvoso a paisagem muda de esbranquiçada para variados tons de verdes.

Única floresta 100% brasileira
A área da Caatinga é de 844.453 Km² (IBGE, 2004) e a totalidade de seus limites encontra-se dentro do território brasileiro, ou seja, seu patrimônio biológico não é encontrado em nenhuma outra região do mundo. Abrange os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Maranhão e também a faixa norte de Minas Gerais. Faz limite com outros três biomas do país, a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. De todos os estados em que ocorre a Caatinga, o Ceará é o que possui maior parte do seu território formado por esse bioma.

O clima e as chuvas
O clima que predomina na Caatinga é o semiárido. Ele constitui uma característica importante que determina a natureza da Caatinga. O clima semiárido possui uma precipitação (quantidade de chuva) em torno de 800mm por ano. Em períodos mais chuvosos pode chegar a 1.000mm por ano e nos mais secos, apenas 200mm por ano. A temperatura média anual varia de 25°C a 30°C e é mais ou menos constante em toda região. O sistema de chuvas divide o ano em dois períodos: o chuvoso e o seco.

O período chuvoso é curto, de 3 a 5 meses de duração, geralmente de janeiro a maio. As chuvas são torrenciais e irregulares concentradas nesses primeiros meses do ano. O período seco ou estiagem ocorre, na maior parte do ano, de 7 a 9 meses, entre junho e dezembro. O semiárido é uma das regiões secas mais quentes do planeta. No período seco, a temperatura do solo pode chegar a 60°C e o sol forte acelera a evaporação das águas dos lagos e rios.


O relevo e os solos
Cerca de metade dos terrenos da Caatinga são de origem cristalina (um tipo de rocha matriz dura e muito antiga que não favorece a acumulação de água) sendo a outra metade representada por terrenos sedimentares, que possuem boa capacidade de armazenamento de águas subterrâneas. O relevo na Caatinga possui especificidades e formas, que foram modeladas durante milhões de anos da história da Terra pelo clima da região (temperatura, chuvas, vento, umidade), que atuou como agente modelador e diferenciador da paisagem. O resultado são as várias formações de relevo encontradas na Caatinga como serras, chapadas, planaltos e depressão sertaneja.

A origem das rochas e do relevo da Caatinga resulta em um conjunto de solos formando mosaicos, distribuídos de forma complexa e com características variadas mesmo em pequenas distâncias. Os tipos de solos variam de rasos a profundos, com alta a baixa fertilidade e texturas argilosas e arenosas. Por causa da variedade dos solos e do relevo, é possível encontrar na Caatinga uma diversidade de paisagens e vegetações.

O tipo de solo mais comum é o raso e pedregoso, que apresenta plantas de baixo porte (arbustos) e cactáceas. É comum este solo sob a depressão sertaneja, a porção mais plana do relevo. As serras e as chapadas são as porções mais altas. Possuem clima ameno e maior umidade devido às chuvas, permitindo o desenvolvimento de matas maiores e mais fechadas. Em alguns lugares existem afloramentos de rochas chamados de “lajedos” que atuam ecologicamente como desertos e locais onde se desenvolvem plantas suculentas como cactáceas e bromélias.


Os rios
A maioria dos rios na Caatinga é intermitente, ou seja, correm apenas durante o período das chuvas, ficando secos durante a estação de estiagem. Os rios perenes, aqueles que permanecem com água corrente o ano todo, são menos frequentes. Dois rios perenes de grande porte e bastante conhecidos são o rio São Francisco e o Rio Parnaíba. Na formação dos rios, as nuvens de chuvas vindas do litoral são barradas pelas serras e as chapadas mais altas, onde a água da chuva se infiltra e escoa, originando nascentes de encosta e pés de serra úmidos.


Por que a Caatinga é única?
No mundo, existem outras regiões semiáridas, como por exemplo, no Chile, na Ásia e na África, que compartilham características semelhantes do clima semiárido e de regime irregular de chuvas. Porém, quando os cientistas compararam as espécies daqui com as dessas regiões, verificaram que as nossas espécies não apenas eram diferentes e exclusivas, como também apresentavam uma diversidade bem maior. Mas então, o que fez a Caatinga ser única? Foram justamente os eventos relacionados a variações no clima (entre muito quente e muito frio) que ocorreram aqui há milhares de anos que fizeram com que a vida se estabelecesse nessa região de uma forma diferente e peculiar.

As variedades das rochas fizeram com que diferentes solos fossem formados na Caatinga (com diferentes minerais, profundidades, texturas e com maior ou menor capacidade de reter água). O clima da região, com longos períodos secos, permitiu que apenas as plantas com adaptações para suportar a deficiência de água prosperassem. O contato com diferentes formações vizinhas como o cerrado e as florestas amazônica e atlântica, contribuiu para a formação desse cenário de condições tão específicas, onde puderam surgir espécies endêmicas.

As plantas
Na Caatinga existem aproximadamente 5.311 espécies de plantas, destas no mínimo 1.547 são endêmicas (IBGE). A Caatinga não é homogênea, possui uma variedade de vegetações classificadas como fitofisionomias (fito = planta e fisionomia = aparência, significa o aspecto visual da vegetação), por isso é comumente denominada por caatingas, no plural.

Caatinga arbórea
É a verdadeira caatinga dos índios tupi: florestas altas com árvores que chegam a 20 metros de altura, que na estação chuvosa formam uma copa contínua e uma mata sombreada em seu interior.

Caatinga arbustiva
Ocorre em áreas mais baixas e planas, com árvores de menor porte de até 8 m de altura, associadas a cactáceas como o xique-xique, o faxeiro e bromélias como a macambira e o croatá.

Mata seca
Floresta que ocorre nas encostas e topos das serras e chapadas. As árvores dessa mata perdem as folhas em menor proporção durante a seca.

Carrasco
Vegetação que só ocorre a oeste da Chapada da Ibiapaba e ao sul da Chapada do Araripe, com arbustos de caules finos, tortuosos e emaranhados, difíceis de penetrar.

Adaptações ao período seco
Devido às irregularidades no regime hídrico da caatinga, com chuvas concentradas em apenas um período do ano, a vegetação deste bioma desenvolveu uma série de características e adaptações para permitir a sua sobrevivência. Essas características são chamadas de xeromorfismo (do grego xeros: seco, e morphos: forma) e é a condição mais marcante da vegetação da Caatinga.

Espécies cactáceas como mandacaru, facheiro, xique-xique, coroa-de-frade, entre outras, apresentam folhas transformadas em espinhos, evitando, dessa forma, a perda excessiva de água através da transpiração. Tal modificação também constitui uma defesa contra animais que poderiam utilizar estas plantas como alimento. Plantas como a embiratanha, possuem o caule verde, com células clorofiladas que permitem a planta continuar realizando fotossíntese e produzindo nutrientes mesmo depois de perder as folhas. A mesma estratégia é utilizada pelos cactos que fazem fotossíntese pelo caule, já que as folhas foram transformadas em espinhos.

Outra forma de adaptação é as folhas serem pequenas e cobertas por uma espécie de cera na parte mais externa, a cutícula, formando uma camada impermeável que dificulta ou impede a perda de água.

Muitas plantas adotam a estratégia de escape ou fuga da escassez de água, acelerando e diminuindo o seu ciclo de vida ou adiando o período de germinação para períodos com maior umidade no solo. Elas germinam, florescem e morrem no período chuvoso para aproveitar a água disponível no ambiente. Um exemplo são as plantas herbáceas, como o capim e plantas rasteiras.

O período de floração também é diferenciado e como as chuvas na Caatinga não iniciam na mesma época, a floração e produção de frutos variam de local para local e de planta para planta. As flores são geralmente pequenas e têm o período reduzido de floração e produção de sementes, antes que o teor de umidade caia excessivamente e lhe cause danos.

As espécies da caatinga desenvolveram um sistema complexo de raízes formando um emaranhado tão grande ou maior que os galhos da própria copa da planta. O desenvolvimento de raízes tuberosas, uma espécie de ‘batata’ que armazena água e nutrientes, possibilita que a planta sobreviva ao período seco. Algumas espécies possuem o caule suculento que também é capaz de armazenar água e nutrientes.

Com o armazenamento de água e nutrientes, as plantas deixam as folhas caírem no final do período chuvoso, ficando, muitas vezes, totalmente desfolhadas no período seco. Desta forma, não ocorre perda de água para o ambiente através das folhas. Sem as folhas verdes, a taxa fotossintética é drasticamente reduzida e a planta entra em estágio de economia de energia e uso das suas reservas.

Os animais
Assim como as plantas, os animais sofreram adaptações para superar a estiagem. Adaptaram-se para consumir alimentos disponíveis na estação, realizam migrações sazonais para locais mais úmidos como as serras, aceleram o ciclo reprodutivo durante as chuvas ou entram em estado de dormência durante a seca.

Peixes
Um dos mais surpreendentes grupos de animais da Caatinga são os peixes, com 240 espécies, das quais a estimativa é que 136 sejam endêmicas. Das espécies identificadas, 25 conseguem adiar a postura dos ovos para o período chuvoso. Os ovos são resistentes e o desenvolvimento do embrião é lento, podendo durar quase um ano. Ao eclodirem, os peixes – que atingem cerca de 5 a 15 cm de comprimento – vivem em lagoas e poças de águas temporárias.

Anfíbios
Ao todo são 49 espécies conhecidas, dessas, cerca de 15% são endêmicas. Parece surpreendente que os anfíbios existam na Caatinga, já que necessitam manter a pele sempre úmida e dependem da água para reprodução e desenvolvimento. Eles desenvolveram uma estratégia como longos períodos de estivação (um tipo de “dormência”) no período seco, reprodução apenas no período chuvoso, proteção dos ovos e girinos em ninhos de espuma para não dessecarem e acelerada metamorfose dos girinos para vencer a evaporação da água.

Répteis
Na Caatinga são cerca de 116 espécies, sendo 10 de anfisbenídeos (lagarto sem pata) e 47 lagartos, 52 serpentes, 4 quelônios e 3 crocodilianos. Como exemplo temos o Jacaré-coroa (Paleoschus palpebrosus), Iguana (Iguana iguana) e a Caninana (Spilotes pullatus).

Aves
São 510 espécies de aves registradas na Caatinga, sendo cerca de 1/3 dessas endêmicas. Como por exemplo, o Corrupião (Icterus jamaraii), Galo-de-campina (Paroaria dominicana), Asa-branca (Columba picazuro), Periquito-do-sertão (Eupsittula cactorum), Canário-da-terra (Sicalis flaveola) e o Cancão (Cyanocorax cyanopogon)

Mamíferos
A fauna de mamíferos do bioma Caatinga possui 148 espécies registradas, sendo 10 endêmicas. A perda de habitat e a caça são os principais fatores de perigo para essas espécies e dez delas estão incluídas da lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. Como exemplo temos a Onça-parda (Puma concolor), Jaguatirica (Leopardus pardalis), Gato-mourisco (Puma yagouaroundi), Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), Soim (Callithrix jacchus), Raposa (Cerdocyon thous), Mocó (Kerodon rupestris), Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), Catitu (Pecari tajacu) e Veado-catingueiro (Mazama gouazoubira).

FONTE: https://www.acaatinga.org.br/sobre-a-caatinga/?gclid=Cj0KCQjwqrb7BRDlARIsACwGad4SmmnjVO4fRSU6ZDmwXriVEc-ioGdxLC1SBi69XjFOM2m7SnRUZp4aApy-EALw_wcB


terça-feira, 22 de setembro de 2020

QUESTÕES DE ENEM E VESTIBULAR SOBRE 1ª GUERRA MUNDIAL

1ª) (Enem-2014) Três décadas — de 1884 a 1914 — separam o século XIX — que terminou com a corrida dos países europeus para a África e com o surgimento dos movimentos de unificação nacional na Europa — do século XX, que começou com a Primeira Guerra Mundial. É o período do Imperialismo, da quietude estagnante na Europa e dos acontecimentos empolgantes na Ásia e na África.

ARENDT, H. As origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

O processo histórico citado contribuiu para a eclosão da Primeira Grande Guerra na medida em que

a) difundiu as teorias socialistas.
b) acirrou as disputas territoriais.
c) superou as crises econômicas.
d) multiplicou os conflitos religiosos.
e) conteve os sentimentos xenófobos.

2ª) (UFF) Muitos historiadores consideram a Primeira Guerra Mundial como fator de peso na crise das sociedades liberais contemporâneas. Assinale a opção que contém argumentos todos corretos a favor de tal opinião.

a) A economia de guerra levou a um intervencionismo de Estado sem precedentes; a “união sagrada” foi invocada em favor de sérias restrições às liberdades civis e políticas e, em função da guerra recém-terminada, eclodiram em 1920 graves dificuldades econômicas que abalaram os países liberais, sobretudo através da inflação.
b) Em todos os países, a economia de guerra forçou a abolir os sindicatos operários, a confiscar as fortunas privadas e a fechar os Parlamentos, pondo assim em cheque os pilares básicos da sociedade liberal.
c) Durante a guerra foi preciso instaurar regimes autoritários e ditatoriais em países antes liberais como a França e a Inglaterra, num prenúncio do fascismo ainda por vir.
d) A guerra transformou Estados antes liberais em gestores de uma economia militarizada que utilizou de novo o trabalho servil para a confecção de armas e munições, em flagrante desrespeito às liberdades individuais.
e) Derrotadas na Primeira Guerra Mundial, as grandes potências liberais foram, por tal razão, impotentes para conter, a seguir, o desafio comunista e o fascismo.

3ª) (Enem-2009) A primeira metade do século XX foi marcada por conflitos e processos que a inscreveram como um dos mais violentos períodos da história humana.

Entre os principais fatores que estiveram na origem dos conflitos ocorridos durante a primeira metade do século XX estão:

a) a crise do colonialismo, a ascensão do nacionalismo e do totalitarismo.
b) o enfraquecimento do império britânico, a Grande Depressão e a corrida nuclear.
c) o declínio britânico, o fracasso da Liga das Nações e a Revolução Cubana.
d) a corrida armamentista, o terceiro-mundismo e o expansionismo soviético.
e) a Revolução Bolchevique, o imperialismo e a unificação da Alemanha.

4ª) (PUC-Campinas) Em relação às causas da Primeira Guerra Mundial é correto afirmar que:

a) A incapacidade dos Estados liberais em solucionar a crise econômica do século XIX colocou em xeque toda a estrutura do sistema capitalista. A instabilidade política e social das nações europeias impulsionou as disputas colonialistas e o conflito entre as potências.
b) A desigualdade de desenvolvimento das nações capitalistas europeias acentuou a rivalidade imperialista. A disputa colonial marcada por um nacionalismo agressivo e pela corrida armamentista expandiu os pontos de atrito entre as potências.
c) O sucesso da política de apaziguamento e do sistema de aliança equilibrou o sistema de forças entre as nações europeias, acirrando as lutas de conquista das colônias da África e da Ásia.
d) O expansionismo na Áustria, a invasão da Polônia pelas tropas alemãs assustaram a Inglaterra e a França, que reagiram contra a agressão declarando guerra ao inimigo.
e) O desequilíbrio entre a produção e consumo incentivou a conquista de novos mercados produtores de matérias-primas e consumidores de bens de produção reativando as rivalidades entre os países europeus e os da América do Norte.


5ª)(Unirio) Dentre os fatores que conduziram à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), destacamos o(a):

a) nacionalismo eslavo aliado à desagregação do Império Turco.
b) acordo militar anglo-germânico visando à partilha da África.
c) desequilíbrio internacional provocado pela aliança da Rússia com o Império Austro-Húngaro.
d) descontentamento da França frente à ocupação no Marrocos.
e) oposição do Imperador Francisco Ferdinando à admissão da Sérvia no Império Austro-Húngaro.

6ª) (UFPel-2008) "Artigos do Tratado de Versalhes:

Art. 45 - Alemanha cede à França a propriedade absoluta [...], com direito total de exploração, das minas de carvão situadas na bacia do rio Sarre.
Art. 119 - A Alemanha renuncia, em favor das potências aliadas, a todos os direitos sobre as colônias ultramarinas. Art. 171 - Estão proibidas na Alemanha a fabricação e a importação de carros blindados, tanques, ou qualquer outro instrumento que sirva a objetivos de guerra.
Art. 232 - A Alemanha se compromete a reparar todos os danos causados à população civil das potências aliadas e a seus bens".

MARQUES, Adhemar Martins et all. "História Contemporânea Textos e documentos". São Paulo: Contexto, 1999.

De acordo com o texto e com seus conhecimentos é correto afirmar que o Tratado de Versalhes:

a) Encerrou a 2ª Guerra Mundial, fazendo com que a Alemanha perdesse as colônias ultramarinas para os países dos Aliados.
b) Extinguiu a Liga das Nações, propondo a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, com o objetivo de preservar a paz mundial.
c) Estimulou a competição econômica e colonial entre os países europeus, culminando na 1ª Guerra Mundial.
d) Permitiu que as potências aliadas dividissem a Alemanha no fim da 2ª Guerra Mundial, em quatro zonas de ocupação: francesa, britânica, americana e soviética.
e) Impôs duras sanções à Alemanha, no fim da 1ª Guerra Mundial, fazendo ressurgir o nacionalismo e reorganizando as forças políticas do país.

7ª) (Mackenzie-1996) Dentre as causas da Primeira Grande Guerra, destaca-se a questão balcânica, que pode ser associada:

a) à formação de novas nacionalidades, como a Iugoslava, sob a tutela da Alemanha.
b) às disputas coloniais na Ásia e na África entre a França e a Inglaterra.
c) ao interesse russo em abrir os estreitos de Bósforo e Dardanelos, ao nacionalismo eslavo e ao temor austríaco quanto à formação da Grande Sérvia.
d) às desavenças entre o Império Austro-Húngaro e a Inglaterra ligadas à anexação da Bósnia-Herzegóvina.
e) ao assassinato do Príncipe Herdeiro, Francisco Ferdinando, e as questões pendentes relacionadas ao Tratado de Brest-Litowsky e o desmembramento da Áustria-Hungria.


8ª) (PUC-Campinas) A Primeira Guerra Mundial, que enfraqueceu a Europa em população e importância econômica:

a) acarretou a criação da Liga Pan-Germânica encarregada de efetivar o "Anschluss".
b) contribuiu para a concretização do Pacto Germânico-Soviético de não agressão, firmado entre Guilherme II e Nicolau II.
c) contribuiu para a formação, dentro da Sérvia de sociedades secretas, tais como a Mão Negra fundada em 1921.
d) contribuiu para a criação de um clima favorável para a aceitação dos princípios do socialismo utópico.
e) acarretou a difusão das ideias que apontavam as contradições do liberalismo.

9ª) (PUC-RS) Dentre os desdobramentos político-econômicos imediatos na ordem internacional produzidos pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), é correto apontar:

a) o fim dos privilégios aduaneiros da França no comércio com a Alemanha.
b) o surgimento da Organização das Nações Unidas, por meio do Tratado de Sevres.
c) a criação da Iugoslávia, como decorrência das questões políticas dos Bálcãs.
d) a anexação da Palestina, da Síria e do Iraque ao Império Otomano.
e) a incorporação da Hungria e da Tchecoslováquia aos domínios austríacos.


10ª) (Mackenzie) Ao término da Primeira Grande Guerra, as potências vencedoras responsabilizaram a Alemanha pela guerra e foi-lhe imposto um tratado punitivo, o Tratado de Versalhes, que teve como consequências:

a) degradação dos ideais liberais e democráticos, agitações políticas de esquerda - como o movimento espartaquista - crise econômica e desemprego.
b) enfraquecimento dos sentimentos nacionais, militarização do Estado Alemão, recuperação econômica e incorporação de Gdansk.
c) anexação das colônias de Togo e Camarões, a afirmação dos ideais liberais e democráticos e a valorização do marco alemão.
d) prosperidade econômica, rearmamento alemão, desmembramento da Alemanha e fortalecimento dos partidos liberais.
e) surgimento da República Democrática Alemã e da República Federal Alemã, fortalecimento do nazismo, militarismo e diminuição do desemprego.


11ª) Sobre a atuação do Brasil na Primeira Guerra Mundial é correto afirmar que:

a) Participou de batalhas navais decisivas que influenciaram diretamente o resultado da guerra, dando a vitória à Tríplice Entente.
b) Limitou-se ao fornecimento de suprimentos agrícolas aos países da Tríplice Aliança.
c) O governo brasileiro participou em missões de patrulhamento bem como enviou enfermeiras e médicos para ajudar a Tríplice Aliança.
d) Entrou ao lado da Alemanha e em troca, este país financiou a industrialização brasileira.

12ª) A Primeira Guerra se caracterizou pelo uso de várias tecnologias mortíferas no campo de batalha. Dentre as quais podemos destacar:

a) armas químicas
b) o rifle de repetição
c) os navios de guerra
d) granada de mão


13ª) O conflito de 1914-1918 deixou em campos opostos os seguintes países:

a) Alemanha, Império Austro-Húngaro e França contra Inglaterra, Rússia e Estados Unidos.
b) Alemanha, Império Russo e Itália contra Inglaterra, Império Austro-Húngaro e Estados Unidos.
c) Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro contra Inglaterra, Rússia e França.
d) Alemanha, Itália e Império Turco-Otomano contra Inglaterra, Rússia e Império Austro-Húngaro.

14ª) Observe atentamente o quadro abaixo:

A pintura representa uma das vanguardas artísticas europeias, o Futurismo, que surgiram no continente na primeira metade do século XX. A obra da pintora russa Natália Goncharova, feita antes da Primeira Guerra, resume um período de otimismo, pois:

a) exalta a vida rural em detrimento da vida urbana
b) retrata a velocidade e dinamismo num espaço urbano.
c) idealiza da figura humana e da paisagem.
d) contém espiritualidade e preocupação social.


15ª) Uma dos países mais extensos do mundo, também era um dos mais pobres e anti-democráticos, e o governo dde Nicolau II foi incapaz de conter as revoltas civis. Qual a relação entre a Primeira Guerra Mundial e os acontecimentos políticos que ocorreram na Rússia entre fevereiro e outubro de 1917?

a) nenhuma relação, pois a Rússia ficou neutra durante o conflito.
b) durante o conflito, os russos conquistaram vários territórios, animando os revolucionários a tomar o poder através das revoluções de 1917.
c) o exército russo perdia no front e vários oficiais passaram a conspirar contra o governo, dando ocasião para as revolução de 1917.
d) a pressão dos países ocidentais fez a Rússia depor o governo monárquico e substitui-lo por uma república socialista.


GABARITO

1B / 2A / 3A / 4B / 5A / 6E / 7C / 8E / 9C / 10A / 11C / 12A / 13C / 14B / 15C

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O CASO DO LAGO CHADE

 Por que um dos maiores lagos do mundo já perdeu 90% de sua água em 4 décadas

Compartilhado por Níger, Nigéria, Chade e Camarões, o lago Chade era como um mar dentro da África, mas agora é como uma colagem de poças e terras seca; conferência discute formas de salvá-lo. Antes de começar a secar, o lago Chade era como uma espécie de mar interno na África. Tratava-se do sexto lago maior do mundo e, nas fotos de satélite, chamava a atenção a intensidade da cor azul que o identificava. Essa é descrição feita por Mary Harper, editora da BBC África, do passado do hoje agonizante lago Chade, que até o início dos anos 70 era como um mar dentro do continente. Hoje, o lago compartilhado por Níger, Nigéria, Chade e Camarões é como uma imensa colagem de grandes poças em meio a grandes extensões de terra.

"Os povoados e cidades que antes contornavam a margem agora estão separados por hectares de desertos", diz Harper.

Mapa mostra a mudança no lago Chade entre 1972 e 2001  — Foto: Unep

Mapa mostra a mudança no lago Chade entre 1972 e 2001 — Foto: Unep 

A razão dessas mudanças geográficas é que o lago Chade perdeu entre 80% e 90% de sua superfície nas últimas quatro décadas.

A essa crise se soma a violência do grupo radical islâmico Boko Haram, que atinge os quatro países que rodeiam o lago.

Nesta semana, representantes dos governos de 12 países e organizações como o Banco Mundial estão reunidos na Conferência Internacional do Lago Chade (ICLC), em Abuja, na Nigéria, para discutir formas de salvá-lo.

Sem água e sem pesca

O lago era a principal fonte de água do Cinturão do Sahel, uma área de 5 mil km que corta toda a África, indo do oceano Atlântico ao mar Vermelho e que serve de transição entre o deserto do Saara e a savana africana.

Nos anos 60, o lago ocupava uma área de 25 mil km² e tinha 135 espécies de peixes, segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura). Mas, nos anos 80, sua superfície foi reduzida a 2,5 mil Km², 10% de seu tamanho original.

Mesmo que em 2013 as chuvas na região tenham registrado um aumento excepcional, sua superfície aumentou apenas 5 mil km², 20% do que já foi, segundo a ICLC.

Um estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters em 2011 e entidades como a ONU assinalam que a perda de volume é superior a 90%.

Essa situação afeta cerca de 40 milhões de pessoas que dependem do lago para obter água potável, pescar e cultivar as terras a seu redor.

A seca, dizem os organizadores da ICLC, provocou a perda de pastagens e o início da migração para a savana da Guiné.

Mas quais são as causas dessa situação tão dramática?

Lago chegou a ter mais de 130 espécies de peixes; a pescaria é uma das únicas fontes de renda e de alimentação para muitos que vivem perto dele — Foto: Getty Images

Lago chegou a ter mais de 130 espécies de peixes; a pescaria é uma das únicas fontes de renda e de alimentação para muitos que vivem perto dele — Foto: Getty Images. 


Não há uma só causa para o desaparecimento do lago.

Ele está sumindo devido ao manejo insustentável da água para o consumo humano e animal e também pela mudança climática.

Um estudo publicado na Environmental Research Letters atribui o desastre à tendência do lago em se dividir em outros menores em certas épocas e à extração de água para a irrigação, o que impede que ele volte a encher totalmente novamente.

A construção de represas para projetos hidrelétricos nos rios que o alimentam também teve efeito devastador. Além disso, a população local diz que a quantidade de chuvas diminuiu muito desde os anos 1970.

Outra das razões da tragédia é uma má aplicação da legislação ambiental, segundo o Banco Mundial.

A Conferência do Chade acrescenta que "os mais de dois milhões de deslocados por causa da insurgência do Boko Haram, que estão reunidos nas margens, aumentam a pressão sobre o lago".

O extremismo e o deslocamento massivo de gente ali têm sido qualificados como a "crise mais ignorada do mundo". A ONU estima que quase 11 milhões de pessoas necessitem de ajuda humanitária por causa desse conflito.

Alertas

Lago Chade era a principal fonte de água do Cinturão do Sahel, uma área de extensão de 5 mil Km² — Foto: Getty Images

Lago Chade era a principal fonte de água do Cinturão do Sahel, uma área de extensão de 5 mil Km² — Foto: Getty Images

Há pelo menos 15 anos as autoridades estão falando sobre a crise do lago Chade.

"É um fato que o lago está em perigo. É verdade que, se não fizermos nada a respeito, ele se transformará em história", disse em 2004 o então presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo.

A Unesco informou que apresentará na ICLC um projeto para "preservar os oásis que restaram e evitar que eles sequem" e para impulsionar atividades econômicas ali, como a produção de uma alga chamada spirulina.

As pessoas que moram ao redor do lago Chade esperam que não seja tarde demais.


FONTE: https://g1.globo.com/natureza/noticia/por-que-um-dos-maiores-lagos-do-mundo-ja-perdeu-90-de-sua-agua-em-4-decadas.ghtml