ENERGIA E REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: TRANSFORMAÇÕES E DESAFIOS
A Revolução Industrial,
iniciada no século XVIII na Inglaterra, marcou uma profunda mudança nas fontes
energéticas utilizadas pela humanidade. Antes desse período, a lenha era a
principal fonte de energia, usada para aquecer e cozinhar. Com o avanço das
fábricas e das máquinas, o carvão mineral passou a ser a base da produção,
alimentando locomotivas, siderúrgicas e indústrias. Esse processo transformou
não apenas a economia, mas também a organização das cidades e o modo de vida
das pessoas, dando início a uma era de intensa urbanização e crescimento
populacional.
No século XX, o petróleo
tornou-se a principal fonte energética mundial, impulsionando o setor de
transportes e a indústria petroquímica. Países como Arábia Saudita e Rússia se
destacaram como grandes produtores, enquanto Estados Unidos e China se tornaram
grandes consumidores. Para organizar o mercado, foi criada a Opep, Organização
dos Países Exportadores de Petróleo, que busca controlar a produção e
estabilizar os preços internacionais. Essa dependência do petróleo trouxe
benefícios econômicos, mas também desafios ambientais, como a emissão de gases
poluentes e o aquecimento global.
Além do petróleo e do
carvão, outras fontes energéticas ganharam espaço. A energia nuclear, por
exemplo, surgiu como alternativa estratégica, oferecendo grande capacidade de
geração elétrica. No entanto, apresenta riscos de acidentes e resíduos
radioativos. Já as fontes renováveis, como a energia solar, eólica e
hidrelétrica, vêm sendo cada vez mais utilizadas, especialmente em países que
buscam reduzir a dependência de combustíveis fósseis. No Brasil, a matriz
energética é composta principalmente por fontes renováveis, com destaque para a
energia hidrelétrica, embora o país ainda consuma petróleo e gás natural.
A queima do carvão mineral,
ainda presente em várias regiões do mundo, gera sérios impactos ambientais,
como poluição atmosférica e chuva ácida. Por isso, muitos países têm buscado
alternativas mais limpas. No Brasil, o carvão mineral é pouco abundante e de
baixa qualidade, o que obriga o país a importar grande parte do que consome.
Essa dependência mostra como a geografia dos recursos naturais influencia
diretamente a economia e a política energética de cada nação.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) desempenha papel fundamental na regulação do setor energético brasileiro, fiscalizando a produção, distribuição e comercialização de petróleo, gás natural e biocombustíveis. Essa atuação garante maior segurança e transparência no mercado. Ao mesmo tempo, programas como o nuclear brasileiro recebem críticas relacionadas ao alto custo, aos riscos ambientais e à falta de investimentos em fontes renováveis mais seguras e sustentáveis.

Fonte: Agência Internacional de Energia
(IEA).
1- Explique as transformações ocorridas nas principais fontes energéticas mundiais relacionadas à Revolução Industrial.
2- Defina os seguintes tipos de fontes de energia e dê exemplos: primária; secundária; renováveis; não renováveis.
3- Cite dois países que são grandes produtores e dois países que são grandes consumidores de petróleo.
4- O que é a Opep? Quais são seus objetivos?
5-Quais são as consequências ambientais resultantes da queima do carvão mineral?
6- Cite as vantagens e desvantagens da utilização da energia nuclear.
7- No Brasil, quais são as fontes de energia mais consumidas? Elas são renováveis ou não renováveis?
8- Qual é a função da Agência Nacional do Petróleo (ANP)?
9- Por que o Brasil necessita importar grande parte do carvão mineral que consome?
10- Quais são as principais críticas relaciona- das ao programa nuclear brasileiro? Registre sua opinião sobre esse assunto.
11-
Observe o gráfico presente no texto e responda às questões.
a) O gráfico acima apresenta a matriz energética de alguns países de importante representatividade econômica no mundo. Sabendo disso, verifique de qual tipo de energia cada um deles tem maior dependência.
b) Quais são os países que consomem mais energia renovável?
c) Em relação às fontes de energia renováveis e não renováveis que compõem a matriz energética desses países, qual é a proporção dessas fontes nos países apresenta- dos? A quais conclusões podemos chegar em relação a esse panorama?
12- Leia e interprete o texto a seguir.
É
possível viver sem petróleo?
Diante da escassez anunciada, dos preços em alta e da ameaça do aquecimento global, o mundo se prepara para reduzir o uso de uma de suas principais fontes de energia: o petróleo. Produtoras e distribuidoras investem pesadamente em opções alternativas. Montadoras testam novas tecnologias para mover carros e caminhões. Mas a tarefa é quase impossível. Apesar disso, o país começa a fazer a sua lição de casa e aprende a depender um pouco menos desse tipo de combustível. É o que ocorre, por exemplo, em Betim, município mineiro conhecido como polo da indústria automobilística e petroquímica. À cidade é modelo nacional no uso de energias limpas. |..] Significa que a cidade não apenas utiliza fontes alternativas de energia, mas também se preocupa em racionalizar o uso dos combustíveis fósseis e da eletricidade. Na residência da manicure Maria Geralda da Conceição, por exemplo, a água do chuveiro é aquecida por painéis solares. A cidade tem quase 1,7 mil equipamentos desse tipo instalados em casas populares. Lâmpadas a vapor de sódio, mais eficientes e econômicas, substituem as de mercúrio na iluminação pública. Leis municipais obrigam o uso de veículos oficiais do tipo flex (gasolina e álcool) e a frota de ônibus é movida a biodiesel, que contém um percentual de 2% de fonte energética renovável. L) Em regiões bem mais pobres que Betim, a preocupação é outra, mas a necessidade de procurar fontes alternativas de energia também está presente. É o que ocorre em Riacho do Cipó, situado em Jeremoabo, no Raso da Catarina, Bahia. Ali, a energia que recentemente passou a clarear a vida da população não provém da hidrelétrica Paulo Afonso, distante 160 km do povoado. Ela advém do Sol que castiga esse pedaço da caatinga. Painéis solares, instalados pelo Programa Luz para Todos, do governo federal, permitem que os moradores assistam TV com antena parabólica. O consumo de fontes alternativas, no entanto, ainda é limitado.
a) Você já refletiu sobre como o petróleo está presente em seu dia a dia? Anote alguns exemplos.
b) O texto apresenta avanços em relação à substituição do petróleo por outras fontes de energia. Quais são eles?
c) Os movimentos para eliminar a total dependência do petróleo passam tanto pelo poder público quanto pela atitude de cada cidadão. Você concorda com essa afirmação? Justifique sua resposta.
d) Trocar uma lâmpada incandescente por uma lâmpada econômica é apenas uma atitude individual de economia ou há uma consequência coletiva por trás desse ato? Explique sua resposta.
e) Nesse texto podemos notar que, em nosso país, existem grandes disparidades em relação à disponibilidade de fontes alternativas de energia. Descreva essas disparidades.
f)
Faça uma pesquisa de campo investigando se em seu município algumas medidas,
como os exemplos mostrados no texto, são realizadas. Traga o resultado para a
sala e realize um debate com os colegas sobre as informações coletadas por
todos. Finalizem o debate elaborando um texto coletivo com argumentos que, por
meio de uma carta, poderão ser dirigidos às autoridades fazendo reivindicações
ou parabenizando pela gestão energética, de acordo com os resultados
encontrados.
GABARITO
1. Com a Revolução Industrial, novas máquinas e equipamentos foram introduzidos ao sistema produtivo, o que ampliou significativamente a demanda por energia. Até então, a principal fonte de energia era o carvão. No final do século XIX e início do século XX, com a invenção do motor a explosão, o petróleo e seus derivados (óleo diesel, gasolina, querosene) se tornaram a principal fonte de energia do mundo.
2. Fontes primárias de energia são aquelas utiliza- das na forma em que são encontradas na natureza, como a lenha. Fontes secundárias são as que necessitam de tratamento ou processamento para a sua produção, como ocorre com a gasolina é o óleo diesel, obtidos a partir do refino do petróleo. Fontes de energia renováveis são aquelas em que utilizam recursos renováveis em sua produção, como a energia hidrelétrica. Fontes de energia não renováveis são aquelas em que utilizam recursos não renováveis em sua Produção, como a energia obtida por meio da queima de carvão e derivados do petróleo.
3. Possível resposta: Grandes produtores: Arábia Saudita, Rússia. Grandes consumidores: Estados Unidos, China.
4. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) foi criada para conter o avanço e diminuir a dependência de petróleo em relação ao oligopólio das sete irmãs. Formada por doze países-membros, a Opep passou a defender o interesse desses países por meio de decisões políticas e econômicas, interferindo de forma direta nos preços no mercado internacional. À medida que o consumo desse recurso aumentava e a economia mundial se tomava cada vez mais dependente do petróleo desses países, a Opep e fortaleceu política e economicamente no cenário mundial.
5. Ao ser queimado, o carvão libera grande quantidade de gases poluentes e fuligem, como monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO, e óxidos sulfúricos (SO2). Esses gases contribuem para o agravamento de inúmeros problemas ambientais, entre eles, o efeito estufa e a chuva ácida.
6. Vantagens: diminui a dependência do petróleo; permite a geração de energia elétrica em países que não dispõem de recursos hídricos para a construção de hidrelétricas ou reservas de combustíveis fósseis. Desvantagens: elevado custo de construção e manutenção, graves riscos de acidentes nucleares e contaminação ambiental pelo descarte de materiais radioativos.
7. Petróleo e derivados (não renováveis), biomassa da cana (renovável), hidrelétrica (renovável) e gás natural (não renovável).
8. Fundada em 1997 e ligada ao Ministério de Minas e. Energia, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) tem à função de regular, contratar e fiscalizar as atividades ligadas ao petróleo e ao gás natural no país.
9. Porque o carvão explorado nas reservas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina é de baixa qualidade. Com elevado teor de enxofre e pequeno poder calorífico, sua exploração se torna economicamente viável apenas para o consumo metalúrgico e energético (usinas termelétricas) locais.
10. As principais críticas se referem ao elevado custo de instalação e ao atraso para sua conclusão, do risco iminente de acidente nuclear o de contaminação ambiental. Resposta pessoal.
11. a) Estados Unidos: petróleo; China: carvão; França: nuclear;
Alemanha: petróleo; Rússia: gás natural; Suécia: petróleo e hidrelétrica; Reino
Unido: petróleo e gás; Brasil: petróleo e hidrelétrica.
b) França, Suécia e Brasil.
c) Dos países apresentados, exceto a Suécia e o Brasil, mais de 80% da matriz está baseada em fontes não renováveis. Isso permite perceber que há um grande desafio a ser enfrentado para que as fontes de energia renováveis venham ocupar papel de destaque na matriz energética, principalmente, dos países do mundo que mais consomem energia.
12. a) Resposta pessoal. Possíveis respostas: O combustível e pneus
dos meios de transporte (ônibus, automóvel, motocicleta), o plástico de vários
objetos, os tecidos sintéticos, produtos de limpeza etc.
b) Além da preocupação com a utilização racional da energia, há
investimentos e testes para o desenvolvimento de novas fontes alternativas como
a solar e o uso de biocombustíveis.
c) Resposta pessoal.
d) É um ato individual que tem consequência coletiva, em que há a
preocupação em racionar uso de energia e das matérias-primas com que esses
produtos são fabricados.
e) Enquanto existem locais em que as pessoas utilizam a energia
elétrica oriunda das hidrelétricas, do petróleo e até dos painéis solares, em
outros há pessoas que ainda dependem do carvão para passar a roupa e de botijão
de gás para manter uma geladeira funcionando. Além disso, há lugares onde a
iluminação provêm dos candeeiros a querosene e a água é bombeada pela força de
geradores a diesel.
f) Resposta pessoal.