ATIVIDADE
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Objeto de
Aprendizagem: Subdesenvolvimento
Habilidades
da BNCC: EM13CHS101 / EM13CHS102 / EM13CHS201 / EM13CHS202 / EM13CHS301 /
EM13CHS401
Habilidades
do ENEM: H1 / H3 / H4 / H5 / H6 / H7 / H8 / H9 / H10
Globalização, Capitalismo
e Desigualdades no Mundo
A globalização
intensificou a integração entre países, aproximando economias, culturas e
sociedades. No entanto, esse processo não ocorreu de forma igualitária. O
sistema capitalista, que privilegia a busca pelo lucro e pela competitividade,
ampliou as desigualdades entre nações e dentro delas. Enquanto países
desenvolvidos concentram tecnologia, indústrias avançadas e altos índices de
qualidade de vida, muitos países subdesenvolvidos enfrentam pobreza,
dependência econômica e dificuldades em garantir direitos básicos à população.
Um exemplo atual é a diferença no acesso às vacinas contra a Covid-19: enquanto
países ricos vacinaram rapidamente suas populações, muitos países pobres
tiveram acesso limitado e tardio, evidenciando a desigualdade global.
A linha de
pobreza é um indicador que ajuda a medir essas desigualdades. O limite de
pobreza refere-se à renda mínima necessária para atender às necessidades
básicas, como alimentação, moradia e transporte. Já o limite de pobreza extrema
ou indigência indica a situação em que a renda não é suficiente nem para
garantir a alimentação diária. Esses conceitos mostram como milhões de pessoas
vivem em condições precárias, especialmente em países subdesenvolvidos, onde a
desigualdade social é mais acentuada. Essa realidade está ligada a fatores
históricos, como a colonização, que deixou marcas profundas na organização
econômica e social dessas nações.
Os países
desenvolvidos são caracterizados por alto Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH), economia diversificada, tecnologia avançada e população com acesso amplo
a saúde e educação. Já os países subdesenvolvidos apresentam baixo IDH,
dependência econômica e tecnológica, endividamento externo e precárias
condições de vida para grande parte da população. No entanto, a regionalização
do mundo em apenas dois grupos é limitada, pois existem países emergentes, como
Brasil, Índia e China, que apresentam características intermediárias: avanços
econômicos significativos, mas ainda com desigualdades sociais marcantes. Essa
complexidade exige análises mais detalhadas para compreender o cenário global.
O IDH é um dos
principais indicadores para medir o desenvolvimento de um país, levando em
conta três variáveis: renda, educação e saúde. Ele mostra não apenas a riqueza
produzida, mas também como ela é distribuída e utilizada para melhorar a vida
das pessoas. Nos países subdesenvolvidos, a atuação histórica de oligarquias
reforçou desigualdades, mantendo privilégios de poucos e limitando o acesso da
maioria a oportunidades. Isso resultou em dependência econômica e tecnológica,
endividamento externo e condições de vida precárias.
Fonte:
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); Banco Mundial; IBGE.
1.A globalização e o
sistema capitalista têm intensificado as desigualdades no mundo. Explique como
isso ocorre e dê exemplos.
2. Em relação à linha de
pobreza, diferencie:
a) limite de pobreza;
b) limite de pobreza
extrema ou de indigência.
3. Selecione e anote em
seu caderno palavras e expressões-chave que caracterizem os países:
a) desenvolvidos;
b) subdesenvolvidos.
4. Quais são as principais
questões que dificultam a regionalização do mundo em apenas dois grupos: países
desenvolvi dos e países subdesenvolvidos?
5. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) leva em
consideração três importantes variáveis para estabelecer o nível de
desenvolvimento de um país. Quais são elas? O que cada uma delas expressa sobre
um país?
6. Cite algumas das origens históricas comuns aos países
subdesenvolvidos.
7. Quais foram as consequências da atuação das oligarquias
nos países subdesenvolvidos?
8. Explique, dando exemplos, o que caracteriza os seguintes
aspectos do subdesenvolvimento:
a) precárias condições de vida;
b) dependência econômica e financeira;
c) endividamento externo;
d) dependência tecnológica.
9. Leia o texto a seguir e responda às questões.
A economia africana e o fator China
Em
2006 realizou-se a primeira Cúpula Sino-Africana, que reuniu em Beijing, nome
atual de Pequim, a quase totalidade de chefes de Estados dos países africanos e
dirigentes chineses. Essa reunião teve como grande objetivo implementar ainda
mais as relações econômicas entre a China e os países do continente africano.
Naquela ocasião, um ministro do alto escalão chinês afirmou enfaticamente que
“a China precisava da África”. São várias as razões que justificam o grande
interesse dos chineses no continente. Primeiramente, deve se levar em conta
que, para a manutenção do alto ritmo de crescimento da economia chinesa, o país
necessita importar enormes quantidades de matérias-primas minerais,
especialmente energéticas, sendo a África importante fornecedor. A China também
precisa colocar seus produtos em mercados consumidores em expansão, como é o
caso do africano, assim como alocar investimentos de seu capital excedente. A
agressiva política chinesa de conquista de mercados externos, que já havia
atingido a Ásia, os países desenvolvidos e a América Latina, tem se voltado
cada vez mais para a África, área do mundo que tem se mostrado como uma nova
fronteira para a expansão dos interesses econômicos chineses. “Além disso, a
China está cada vez mais imbuída da necessidade de ter apoio internacional para
se proteger de determinados questionamentos nos fóruns internacionais,
sobretudo em temas ligados aos direitos humanos e respeito à legislação sobre
patentes, já que o país é considerado como um líder na “pirataria” intelectual.
Nesse sentido, o apoio dos países africanos — e a África é o continente com
maior número de países — é absolutamente essencial. Para cumprir esses
objetivos a China tem aumentado a ajuda para o desenvolvimento dos países
africanos. Ao mesmo tempo tem ofertado vultosos empréstimos, cujo pagamento
pode ser feito com matérias-primas, tão necessárias à China. A dimensão
econômica da presença chinesa na África pode ser avaliada pelo fato de que, na
primeira década do século XXI, os chineses passaram do nono para o segundo
maior parceiro comercial africano, só superados pelos Estados Unidos,
desbancando as antigas potências coloniais europeias. Além do comércio de bens,
os países africanos têm se mostrado um importante destino para os investimentos
em áreas da construção civil e mineração. O modelo baseado na oferta de crédito
oficial condicionada à contratação de serviços chineses tornou imbatíveis os
preços oferecidos pelos chineses. Todavia, nem tudo são flores nessa relação.
Um dos problemas é o desgaste do modelo praticado, que gera endividamento dos
Estados africanos, deixando a sensação de que a China, na verdade, pratica um
outro tipo de colonialismo, fato que fica evidenciado pela grande utilização de
mão de obra chinesa pelas empresas instaladas no continente. Além disso, a
China tem sido constantemente criticada pelo apoio que tem dado a regimes
acusados de violação sistemática dos direitos humanos, cujo caso mais
emblemático é o Sudão. A forma como a China lidará com esses desafios poderá
comprovar se a estratégia chinesa é um tipo de colonialismo com uma nova
roupagem, baseado na competição econômica por recursos cada vez mais escassos,
ou se essa parceria tem como objetivo o mútuo desenvolvimento.
a) Por que a África tem se tornado uma nova fronteira para
a expansão dos interesses econômicos da China?
b) A China e a maioria dos países africanos fazem parte do
mesmo conjunto de países subdesenvolvidos? Justifique sua resposta.
c) O texto aborda a questão de que a China tem realizado um
novo tipo de colonialismo. Que argumentos ele cita para apoiar tal afirmação?
10. Pesquise em jornais, revistas ou na internet
informações atuais sobre o relacionamento da China com países da África. De
posse dessas informações, em sala de aula, realize um debate com os colegas a
respeito de um possível novo colonialismo realizado pela China no continente
africano ou se esse país tem buscado um desenvolvimento mútuo. Registre a
conclusão de vocês em um texto-síntese coletivo ou individual.
GABARITO
1. A desigualdade surge como produto da
atual fase do desenvolvimento capitalista e reproduz-se por meio de suas
contradições. Por um lado, a globalização promove o crescimento econômico, por
outro, intensifica a acumulação do capital, o que significa que os ricos estão
cada vez mais ricos e os pobres ainda mais pobres.
2. a) Limite de pobreza: faixa em que se
encontram as pessoas que recebem até 3,10 dólares por dia; renda considerada
suficiente para satisfazer as necessidades mínimas dos moradores de um
domicílio.
b) Limite de pobreza extrema ou de indigência:
faixa em que se encontram as pessoas que recebem até 1,90 dólar por dia; renda
sufi- ciente para comprar apenas os alimentos necessários para repor os gastos
energéticos.
3. a) Desenvolvidos: elevado padrão de
vida, alto grau de industrialização; supremacia econômica e tecnológica.
b) Subdesenvolvidos: atraso e dependência
econômica e tecnológica, grande parte da população vive em precárias condições
de vida.
4. Há uma enorme heterogeneidade tanto
entre os países mais desenvolvidos quanto entre os sub- desenvolvidos. Entre os
mais desenvolvidos encontram-se as maiores potências mundiais e as economias
mais modestas. Entre os subdesenvolvidos estão aqueles de economia agrária e
frágil e aqueles que se destacam no cenário econômico mundial como economias
industrializadas.
5. Para estabelecer o IDH de um país,
leva-se em conta o nível de escolaridade, verificado pela taxa de alfabetização
e pela média de anos de estudo; a longevidade da população, indicada pela
expectativa de vida dos habitantes e que mede as condições de vida da
população; e a renda per capita, que indica a capacidade ou poder de compra de
bens e serviços pela população.
6. O subdesenvolvimento tem origens
históricas que remontam ao colonialismo, entre os séculos XV e XVI, período que
marcou a expansão do capitalismo mercantil. As riquezas dos territórios
coloniais foram intensamente exploradas pelas metrópoles e grande parte de sua
população nativa foi escravizada e dizimada. O colonialismo também estabeleceu
uma relação desigual nas trocas comer- ciais, na qual as metrópoles forneciam
manufaturas às suas colônias, enquanto estas forneciam riquezas que geravam
lucros às metrópoles.
7. Após conquistarem a independência, a
política das ex-colônias se manteve nas mãos da elite dominante, também
chamadas oligarquias, por meio de governos autoritários e antidemocráticos.
Submissos aos interesses do grande capital internacional, esses governos
agravaram ainda mais a situação de pobreza, já que defendiam e faziam
prevalecer seus interesses e privilégios.
8. a) Parte da população não possui renda
suficiente para suprir as necessidades básicas, como alimentação, saúde,
educação e lazer, o que leva à situação de pobreza extrema e à sub- nutrição de
parcela da população. A precariedade ou inexistência dos serviços de saúde
também levam à elevada taxa de mortalidade infantil e à baixa expectativa de
vida.
b) A carência de recursos financeiros, a
escassez de investimentos e a economia descapitalizada tornam os países
subdesenvolvidos dependentes do capital internacional, de modo que seu mercado
seja dominado por grandes empresas transnacionais. Essa dependência econômica
se explica em virtude da desvantagem na divisão internacional do trabalho, uma
vez que são exportadores de gêneros primários e commodities de baixo valor no
mercado internacional.
c) Ao exportar gêneros primários e
importar produtos industrializados, os países subdesenvolvidos acumulam
déficits crescentes, que limitam os recursos para investir na expansão e
melhoria dos serviços públicos, e da infra- estrutura necessária para a expansão
das atividades econômicas. Para cobrir os déficits e investir no
desenvolvimento interno, muitos países contraem empréstimos com grandes bancos
estrangeiros e organismos internacionais (FMI e Banco Mundial), ampliando ainda
mais sua dependência econômica e financeira, já que as elevadas taxas de juros
aumentam muito o valor da dívida.
d) Por causa da reduzida capacidade de
investi- mentos, esses países destinam escassos recursos para as áreas de
educação, ciência e tecnologia. Se por um lado a grande maioria dos países
subdesenvolvidos apresenta domínio tecnológico reduzido ou quase inexistente,
por outro, as nações mais ricas e desenvolvidas detêm o domínio das mais
avançadas tecnologias, o que mantém os países subdesenvolvidos dependentes das
exportações de gêneros menos valorizados no comércio internacional.
9. a) Porque a agressiva política chinesa
de conquista de mercados externos, que já havia atingido a Ásia, os países
desenvolvidos e a América Latina, tem se voltado cada vez mais para a África,
uma vez que a China almeja colocar seus produtos em mercados consumidores em
expansão.
b) Não; embora sejam países
subdesenvolvidos, a China é considerada uma economia em desenvolvimento, e a
maioria dos países da África é classificada como uma economia menos
desenvolvida.
c) A China tem aumentado a ajuda para o
desenvolvimento dos países africanos e recebe como pagamento matérias-primas,
tão necessárias ao país. Além do comércio de bens, os países africanos têm se
mostrado um importante destino para os investimentos em áreas da construção
civil e da mineração. Todavia, o desgaste do modelo praticado tem sido um dos
problemas, gerando endividamento dos Estados africanos, o que evidencia outro
tipo de colonialismo, fato constatado com a grande utilização de mão de obra
chinesa pelas empresas instaladas no continente.
10) Resposta pessoal.